Mudanças no vale-refeição: Governo quer a exclusão da portabilidade entre as bandeiras

A nova lei do cartão alimentação foi aprovada em 2022 e tem até maio de 2024 para ser regulamentada

O vale-refeição vem passando por mudanças desde 2022, mas as discussões começaram em maio de 2023. Uma delas é a portabilidade entre as bandeiras, ação que o Ministério do Trabalho recomendou ser excluída por meio da Medida Provisória (MP).

A portabilidade daria a possibilidade para o trabalhador de trocar o cartão da empresa empregadora por outra bandeira. Muitos que são a favor da ideia defendem que é uma medida necessária para reduzir barreiras e aumentar a competição no mercado.

Porém, segundo alguns empresários no ramo, essa mudança pode prejudicar pequenos prestadores, já que o mercado estaria dominado por grandes empresas. Dessa forma, o governo pode rever as novas regras do vale-refeição.

Essa regra da portabilidade foi instituída ano passado, junto a outras normas dentro da lei como a interoperabilidade, que obriga a aceitação de todos os tíquetes nos estabelecimentos e a vedação.

O último é a capacidade do rebate, uma prática que as empresas de cartão oferecem descontos para conseguir contratos. Leia mais sobre as novas regras do benefício clicando aqui!

vale-refeição e a portabilidade

Marcelo Naegele, auditor fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho, fala sobre as mudanças do benefícios, afirmando que tais modificações só foram discutidas porque o  Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) estava em risco.

Segundo Naegele, a origem do rebate era o financiamento da renda dos trabalhadores e dos restaurantes, já que os estabelecimentos pagavam taxas maiores para aceitar os cartões.

A prática do deságio revela um subsídio de renda dos trabalhadores e dos estabelecimentos para empresas, um fluxo invertido”, relata. Marcelo acrescentou ainda que isso foi uma falha do governo, não do mercado.

De qualquer forma, como o governo não conseguiu a regulamentação em maio, foi encaminhada uma MP para estender o prazo até maio de 2024. Ou seja, a discussão sobre o vale-alimentação foi retomada no Congresso, com foco na portabilidade das bandeiras. 

Prejuízos para os restaurantes

cartão alimentação e as mudanças do governo

A portabilidade rendeu uma movimentação no ramo de alimentação. Isso porque muitos donos de restaurantes acreditam que o poder de escolha da empresa do vale-refeição, por parte do trabalhador, é o caminho para o prejuízo.

Segundo o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, essa decisão poderá gerar uma guerra de cashback.

A empresa que oferece essa vantagem para o trabalhador, não vai absorver esse custo que tão bondosamente concede.” explica o empresário.“O que acontece é que ela repassará ao restaurante a conta desse ônus. E com as margens apertadas, o restaurante não consegue assumir essa conta e terá que reajustar o cardápio.”

 “Na última linha, quem termina pagando por isso é o próprio trabalhador e a gente precisa deixar isso claro para a sociedade”, completa Solmucci.

O jeito é acompanhar essa briga para saber se a lei será regulamentada até 2024 e, se for, entender como os trabalhadores tal como os bares e restaurantes poderão se adaptar às novas regras.

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